No Brasil, antes da chegada dos portugueses, nossos índios, em especial os da etnia Tupi, já faziam composições musivas com penas que adornavam escudos, mantos e diademas. Depois da chegada dos colonizadores, um dos maiores troféus que eles podiam levar para os reis e patrocinadores das viagens era o diadema de penas dos caciques. Eram esses cocares de tal forma disputados na Europa que na França acabaram sendo incorporados à moda da época, quando todos os chapéus, tanto masculinos ou femininos, passaram a ter penas decorativas. Essa moda perdurou, entre as mulheres, até no século XX.
Os portugueses introduziram os mosaicos à européia no Brasil, mas, pela pobreza da colônia e dos materiais, muito pouca coisa subsistiu.
Seja como for, eram peças limitadas, as quais não conhecemos os autores, e não chegavam a formar uma grande superfície contínua como nas igrejas bizantinas.
Em fins do século XVIII, temos notícias de mosaicos feitos no Brasil e até conhecemos alguns artistas locais.
Com a construção do Passeio Público do Rio de Janeiro de 1779 a 1783 pelo Vice-rei Luís de Vasconcelos, com projeto de mestre Valentim da Fonseca e Silva, surge o primeiro contrato oficial no Brasil de um artista musivo, aliás, dois.
Com a vinda da Missão Artística Francesa, em 1816, a arte musiva se desenvolve e passa para as residências palacianas da Côrte. Os dois pisos de mosaico civil mais antigos sobreviventes são os da casa do arquiteto Grandjean de Montigny, na Gávea, hoje Centro Cultural da PUC, que pode ser datado de 1828; e os pisos em mármore e madeira do Solar da Marquesa de Santos, hoje Museu do Primeiro Reinado, em São Cristóvão, da mesma época. Nada sabemos dos artistas que os executaram, mas demonstram grande conhecimento da arte musiva, em especial os mosaicos da casa da Marquesa, onde até há uso da perspectiva.
Com a reforma da cidade do Rio de Janeiro pelos Governo Federal e Prefeito Pereira Passos, os mosaicos serão usados para ornar os novos palácios que surgiam para embasbacar o viajante estrangeiro e mostrar que a cidade nada devia em termos de arte às capitais europeias.
O monumento do Cristo Redentor, inaugurado em 1931, teve toda sua superfície externa revestida de mosaico de pedra sabão verde, em homenagem ao artista Aleijadinho. O arquiteto da obra, Heitor da Silva Costa, teve a idéia da cobertura musiva ao ver uma fonte assim revestida, em Paris.
 |
| O Cristo é moldado em concreto sobre uma tela de aço, colocada sobre o molde original de gesso, pedaço por pedaço. Na argamassa, usaram areia, açúcar e óleo de baleia. Para revesti-lo, donas-de-casa voluntárias cortaram 2 milhões de triângulos de três centímetros de tecido, sobre os quais foram colados pedaços de pedra-sabão – material resistente a intempéries. |
O mosaico contemporâneo segue as mesmas normas das outras artes, não sendo mais limitado pelos temas ou usos. Acompanhando uma tendência que surgiu na pintura, os artistas atuais partem, não poucas vezes, para obras tridimensionais, fazendo as superfícies saltarem das paredes e pisos, integrando-as ao espaço do espectador. A introdução de oficinas de arte musiva em comunidades carentes tende, em futuro próximo, eliminar a distância existente entre o artista e o observador, surgindo daí o mosaico interativo, algo impensado no passado.